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Supercombo.foto/divulgação

Supercombo mergulha na essência do rock e flerta com o inesperado em “Caranguejo parte 1”

Texto por Elder Oliveira

A banda Supercombo está de volta às plataformas com o lançamento de “Caranguejo parte 1”, a primeira metade de um novo trabalho que promete resgatar a essência rock ‘n’ roll do grupo, ao mesmo tempo que surpreende com toques de ritmos brasileiros, incluindo o piseiro. O título do álbum nasceu de uma brincadeira nos bastidores, quando alguém comentou que algumas canções soavam como um caranguejo, com uma “cara meio estranha, que ía para um lado e depois para o outro”. A banda adorou a ideia, vendo na figura do crustáceo, que busca segurança em seu lugar de origem ao se esconder na areia, um simbolismo perfeito para o álbum, que busca um retorno ao rock como matéria principal, mas que flerta com ritmos brasileiros e até com piseiro, como no divertido primeiro single, “Piseiro Black Sabbath”. A baixista e vocalista Carol Navarro comentou que a faixa surgiu “quase de brincadeira”, gravando todo mundo na mesma sala.

“Caranguejo parte 1” demonstra a versatilidade já conhecida da Supercombo, mas com uma produção mais elaborada, contando com mais recursos eletrônicos. O jovem Victor de Souza, o Jotta, assina a produção e pós-produção ao lado da banda, trabalho que, segundo Leo Ramos, foi fundamental para o resultado final, transitando muito no universo do pop e da música urbana. O álbum abre com o rock “A Transmissão”, que remete aos primeiros trabalhos do Supercombo. Em seguida, “Piseiro Black Sabbath” traz a versatilidade já característica da banda. O som fica mais pesado na irônica “Hoje Eu Tô Zen”, onde o refrão quase gritado contrasta com a letra que diz “Hoje eu tô zen”. O pop/rock perfeito aparece em “Alento”, canção de refrão marcante escrita por Leo Ramos para sua filha.

Faixas como “Testa”, uma balada introspectiva sobre luto com instrumental indie dançante, e “Nossas Pitangas”, que remete um pouco aos anos 80/90, bandas como Tears For Fears e aqueles teclados típicos da época, mostram a profundidade lírica do quarteto. Como comentou Paulo Vaz, “A gente é uma banda de rock. Sempre tem algumas brasilidades e compomos em português, mas a gente gosta mesmo é de riff de guitarra”. O álbum encerra com “Alfaiate”, que usa o universo da costura como metáfora para narrar os dramas da baixa autoestima. A banda optou por dividir o disco em duas partes paralelas, com a primeira música de um conversando com a primeira do outro, e assim sucessivamente. A decisão, segundo André Dea, é uma forma de dar mais atenção às canções “já que vivemos numa era meio imediatista e viciada em singles.” “Caranguejo parte 1” chega para ser saboreado com atenção, e deixa a expectativa para a parte 2, que tem lançamento previsto para 2026.

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