Quarteto Fantástico retorna ao MCU com ambientação incrível e os velhos vícios de sempre

Depois de trancos e barrancos, esperança e muita expectativa, “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos está de volta, e desta vez, nos braços da Marvel Studios. A família mais querida dos quadrinhos foi muito maltratada ao longo dos anos, mas será que, depois de quatro tentativas, finalmente acertaram?

Já estabelecido como um grupo de super-heróis e amados pelas pessoas, o Quarteto Fantástico passa a enfrentar seu maior desafio: Galactus (Ralph Ineson A Bruxa ), um ser cósmico que se alimenta de planetas com sua fome insaciável.

Sob a direção de Matt Shakman (WandaVision), Quarteto Fantástico se passa em um universo alternativo situado em um retrofuturismo dos anos 60 que, sem sombra de dúvidas, é o ponto alto de toda a produção. A interação dos personagens com objetos nessa estética traz um charme que não era visto no MCU há um bom tempo.

Charme esse muito similar à mudança de estética aplicada na própria série da Wanda, nos primórdios da era Marvel no Disney+.

Indo direto ao ponto: Galactus está, sim, bem representado. Ralph Ineson interpreta o ser celestial com uma voz arrebatadora, fazendo parecer crível que aquela seja, de fato, a voz profunda do devorador de mundos. Sua onipotência nas cenas também não deixa nada a desejar, é impossível ignorá-lo em tela.

Quarteto sem ritmo? 

Com os pontos acima esclarecidos, Quarteto Fantástico tem um sério problema de ritmo e tom. O primeiro ato da produção nos contextualiza e introduz a ameaça de maneira incrível; estamos tão perdidos e tensos quanto os protagonistas. Aliás, os momentos no espaço são de tirar o fôlego.

Porém, após esse breve momento de choque do público e dos personagens com as ameaças estabelecidas, surge uma “barriga”, uma estagnação que até faz sentido na narrativa para demonstrar a impotência do grupo diante do risco.

Mas essa condução tenta criar um senso de oposição do poder público contra o Quarteto que não dura o suficiente para gerar qualquer peso na trama. Assim como as tensões internas do grupo, que não convencem graças à compulsão sem freio da Marvel por piadas.

Química do Quarteto

No elenco, todos têm seus momentos de brilho, alguns com menos intensidade, como o Coisa, interpretado por Ebon Moss-Bachrach (The Bear), que inicia um flerte com um possível núcleo romântico, mas a trama para muito antes de se aprofundar em qualquer coisa.

Pedro Pascal e Vanessa Kirby funcionam bem na maior parte do tempo como Senhor Fantástico e Mulher Invisível, principalmente quando estão atuando em conjunto.

Tocha Humana, interpretado por Joseph Quinn, carrega um papel importante na trama. Ao mesmo tempo em que dá andamento à história, também é responsável por um tom de humor extremamente fora de ritmo.

No geral, o grupo funciona bem nos momentos de drama do longa. O problema aparece no momento de maior clímax da história. No terceiro ato, a resolução  (digna de um plano dos Papa-Léguas) não é o suficiente. A sequência de ação coloca em dúvida a eficiência do grupo.

Sem coordenação em uma cena de ação, temos um final que deixa a desejar. Para enfrentar um grande desafio como Galactus, esperava-se uma cena à la Vingadores, com ataques combinados e muita criatividade em forma de CGI. Mas o que temos é cada um agindo por si, entregando mais um final com o padrão Marvel.

“Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” estreia nos cinemas no dia 24 de julho 

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