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Crítica | The Alto Knights – Máfia e Poder

The Alto Knights – Máfia e Poder (2025), longa-metragem policial estadunidense, distribuído pela Warner Bros, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 20 de março de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 123 minutos de duração.

Faz uma década desde que Barry Levinson lançou seu último longa-metragem, e, embora isso já pareça uma espera considerável, levou impressionantes 50 anos para que este filme, sua nova obra, finalmente ganhasse as telonas. A ideia nasceu nos anos de 1970, pouco após a morte de Frank Costello, o lendário chefão do crime de Nova York conhecido como “o primeiro-ministro do submundo”, aos 82 anos.

No entanto, o projeto enfrentou décadas de paralisia no chamado inferno do desenvolvimento e só recebeu luz verde recentemente, provavelmente graças a um trunfo de elenco: Robert De Niro interpreta tanto Costello quanto seu notório amigo que se tornou rival, Vito Genovese.

De Niro já interpretou inúmeros mafiosos, e neste longa, parece recriar muitos desses papéis, resultando em algo que frequentemente soa como uma repetição frenética de clichês dos dramas de máfia. Não é inteiramente culpa do filme; afinal, os eventos da vida real que servem de base para a trama são a origem de alguns desses clichês. Vale lembrar que Frank Costello foi a inspiração para ninguém menos que Don Vito Corleone, de “O Poderoso Chefão” (1972).

A trama inicia em 1957, quando Frank, líder de uma família criminosa, é alvejado no saguão de seu prédio em Nova York. Apesar de sobreviver ao ataque e de saber de imediato que Vito foi o mandante, Frank decide guardar esse segredo. Ele não busca vingança e deseja evitar uma guerra entre as famílias mafiosas.

A narrativa então recua cerca de 50 anos, revelando como os jovens Frank e Vito formaram uma amizade em Nova York, frequentando o Alto Knights Social Club, um conhecido ponto de encontro de gângsters.

Durante a Lei Seca, ambos se envolveram no contrabando, ascendendo gradualmente na hierarquia da família Luciano. Vito acabou se tornando chefe, mas foi forçado a fugir para a Itália ao enfrentar uma acusação de assassinato. Anos mais tarde, após a Segunda Guerra Mundial, Vito retornou para encontrar Frank no comando de um império criminoso próspero, sustentado por policiais e políticos subornados.

Grande parte dessa história de origem é apresentada de forma apressada e quase desordenada, o que é lamentável, considerando o talento de Levinson para explorar dramas sobre experiências de imigrantes e amizades de infância. Havia um enorme potencial para desenvolver de maneira mais rica os primeiros anos de Frank e Vito, porém o roteiro de Nicholas Pileggi, parece mais interessado em acelerar para o confronto direto entre os dois De Niros.

Vito, violento e possessivamente ciumento, deseja retomar o controle da organização e transformá-la em uma operação de tráfico de drogas. Enquanto isso, Frank, determinado a construir uma imagem legítima e respeitável, tenta persuadi-lo a abandonar seus planos.

Não está totalmente claro o que o filme ganha ao colocar um único ator para interpretar os dois papéis, a menos que a intenção seja sugerir que Frank e Vito representam os dois lados da mesma moeda. De qualquer forma, De Niro demonstra estar completamente à vontade com esse universo de gângsters, e é curioso vê-lo travar discussões consigo mesmo.

O longa não apresenta muitas ideias além da clássica dinâmica de mafioso bom versus mafioso mau. São compilados diversos eventos, incluindo uma investigação do Senado sobre crimes interestaduais e uma cúpula histórica que reuniu centenas de chefes da máfia de todo o país. Contudo, parece hesitar em confiar plenamente na força de sua própria narrativa. Praticamente não há cena que não seja acompanhada por flashes de câmeras e manchetes gigantes de jornais, como se Levinson quisesse constantemente nos lembrar de que estamos testemunhando momentos históricos.

Ainda assim, as atuações de De Niro conseguem manter o espectador atento. Vito pode ser pouco mais do que uma figura temperamental e explosiva, mas Frank é uma presença agradável, especialmente nos momentos finais, quando pondera seriamente a possibilidade de ceder a Vito e se afastar. E o que importa se De Niro está retratando uma versão suavizada de um criminoso implacável? Os filmes de máfia de Hollywood — mesmo os mais questionáveis e derivados como este — sempre foram mestres em nos vender uma mentira bem embalada.

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