Presença (Presence, 2024), longa-metragem estadunidense de drama e suspense psicológico, distribuído pela Diamond Films, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 03 de abril de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 75 minutos de duração, dirigido por Steven Soderbergh e com roteiro de David Koep.

O filme marca mais uma vez a habilidade do diretor em inovar no cinema e oferecer ao público uma experiência singular. Aqui, Soderbergh subverte o gênero de histórias de fantasmas ao contar a trama inteiramente do ponto de vista do espectro, parecido com o que acontece em “Sombras da Vida” (A Ghost Story, 2017), mas de maneira mais surpreendente. Essa abordagem não só desafia a narrativa tradicional, mas também eleva o potencial visual e emocional da obra.

A história gira em torno de uma família que se muda para uma casa nova. Rebecca (Lucy Liu) e Chris (Chris Sullivan), juntamente com seus filhos adolescentes Chloe (Callina Liang) e Tyler (Eddy Maday), enfrentam fenômenos sobrenaturais que apenas Chloe parece perceber inicialmente. A dinâmica familiar complexa — marcada por favoritismos maternos, ansiedade adolescente e uma tragédia recente — adiciona profundidade ao enredo e transforma o filme em algo mais do que apenas uma narrativa de “terror”. Ele se torna um estudo sensível sobre as emoções internas dos adolescentes, suas vulnerabilidades e os desafios das relações familiares.

Soderbergh, atuando como diretor e diretor de fotografia (sob o pseudônimo de Peter Andrews), utiliza movimentos de câmera delicados e expressivos para transmitir as emoções do fantasma: empatia, preocupação e até mesmo raiva. Essa escolha técnica, que mantém o filme dentro dos limites físicos da casa, reforça a sensação de confinamento e tensão. Ao longo da trama, o espectro se revela mais protetor do que ameaçador, oferecendo um novo olhar sobre os estereótipos do gênero.

Em resumo, “Presença”, ainda que sua abordagem experimental possa não agradar a todos os públicos, destaca-se como uma obra original e inquietante, principalmente em seu plot twist. As performances de Callina Liang e Chris Sullivan são a cereja do bolo, oferecendo momentos que podem ser facilmente compartilhados. Para aqueles que valorizam cinema autoral e experimentação estética, este é um thriller que merece atenção. Mais uma vez, Soderbergh demonstra sua maestria em criar obras bem desenvolvidas.

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