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Crítica | Parthenope – Os Amores de Nápoles

Parthenope – Os Amores de Nápoles (2023), longa-metragem dramático italiano, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 27 de março de 2025, com classificação indicativa 18 anos e 137 minutos de duração.

Dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino, é um filme que transborda estilo e elegância, mas que deixa a narrativa em segundo plano, priorizando a estética em detrimento de uma trama mais consistente.

O longa acompanha a vida da enigmática Parthenope (vivida por Celeste Dalla Porta, em sua estreia no cinema), desde seu nascimento em 1950 até os dias atuais, retratando suas jornadas e escolhas sob uma ótica fortemente visual.

A personagem principal, batizada em homenagem ao antigo assentamento grego que deu origem a Nápoles, ou possivelmente à lendária sereia da mitologia, vagueia por sua vida como uma presença fascinante, mas muitas vezes incerta e introspectiva. Criada em uma família rica, com uma imponente vila costeira, Parthenope revela desde cedo sua predileção pelo conhecimento, contrastando com o vazio ao seu redor. Sua relação com o irmão Raimondo (Daniele Rienzo), envolta em tons quase trágicos e inspirada na dramaturgia grega, adiciona um pouco mais de tensão à trama.

Enquanto avança pela vida, Parthenope explora caminhos como a antropologia, sob a orientação de um professor (Silvio Orlando) que percebe sua profundidade, e até mesmo uma carreira como atriz, marcada por experiências surreais como aulas com uma misteriosa mentora mascarada (Isabella Ferrari).

No entanto, sua trajetória se desvia frequentemente para o mundo das aparências, onde a beleza se torna tanto um privilégio quanto um obstáculo. A protagonista parece ser constantemente admirada, mas raramente compreendida, o que cria um contraste intrigante, embora frustrante, para o público.

Visualmente, o filme é impecável. Com figurinos dirigidos pelo criativo da Saint Laurent, Anthony Vaccarello, e um enquadramento que remete a editoriais de moda, Parthenope é um espetáculo para os olhos. Contudo, essa mesma obsessão com a forma deixa a narrativa diluída, com muitos momentos de contemplação que não levam a respostas ou conclusões significativas. A própria protagonista permanece um mistério para todos ao seu redor e para o público, mantendo uma aura melancólica e impenetrável que, embora hipnotizante, pode afastar aqueles que buscam um enredo mais substancial.

Em resumo, “Parthenope” é um filme para ser sentido e admirado, mais do que compreendido. É uma ode à beleza e ao mistério, e talvez a maior conquista de Sorrentino esteja em sua recusa em explicar ou simplificar sua protagonista. Embora não seja uma obra universalmente acessível, é inegável que o diretor criou um conto visualmente marcante e artisticamente ousado. Para aqueles que apreciam a estética acima da narrativa, é uma experiência rica e fascinante.

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