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Crítica | Mário de Andrade – O Turista Aprendiz

Mário de Andrade – O Turista Aprendiz (2022), longa-metragem brasileiro de Documédia, distribuído pela Cinema Brasil Digital, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 27 de março de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 92 minutos de duração.

Dirigido por Murilo Salles, é uma obra ousada e experimental que celebra a figura de Mário de Andrade e seu impacto na literatura e cultura brasileira. Inspirado em seu diário de viagem pelo Amazonas em 1927, publicado somente após sua morte, o filme explora a jornada do autor com uma abordagem híbrida, misturando elementos de documentário, ficção e ensaio cinematográfico. É uma cinebiografia inovadora que se destaca pela sua forma e pela profundidade crítica do conteúdo.

O maior mérito do filme é a maneira como transforma as anotações de Mário de Andrade em uma experiência visual rica e provocadora. Rodrigo Mercadante, em uma interpretação excepcional do escritor, traz à tona suas contradições, ideias e comportamento excêntrico com autenticidade. A escolha estética de Salles, com cenários minimalistas e projeções que fazem uso de colagens audiovisuais, serve como uma homenagem às ideias de vanguarda tão importantes para o homenageado.

A narrativa, porém, não se limita às reflexões pessoais de Mário de Andrade, mergulhando em questões políticas e sociais que ainda persistem até hoje no Brasil. A disparidade entre classes sociais, os resquícios do colonialismo e a eterna busca por uma identidade nacional são explorados com uma sensibilidade que evita estereótipos. É um retrato honesto e humano, que não idealiza o escritor, mas revela suas virtudes e vícios.

Apesar de suas qualidades, o longa-metragem pode afastar espectadores que preferem um realismo mais convencional. Sua abordagem teatral e experimental exige uma abertura por parte do público, especialmente diante do uso evidente de fundo verde e da estética de colagem. Contudo, é justamente essa audácia que reforça o caráter autoral e genuíno da obra.

Em sua essência, a produção é uma celebração do legado de Mário de Andrade e uma reflexão sobre o Brasil: um país ainda marcado por suas feridas históricas e por sua luta constante para se entender como nação. Com uma direção de arte impecável e atuações acima da média, este é um filme que provoca, desafia e convida o público a embarcar em uma viagem tanto pelo passado quanto pelo presente. Murilo Salles entrega aqui um trabalho que, embora não seja para todos, é indispensável para aqueles que apreciam cinema autoral e experimental. Uma verdadeira aula sobre arte e identidade brasileira.

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