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Código Preto (Black Bag, 2024), longa-metragem estadunidense de espionagem, distribuído pela Universal Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 13 de março de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 93 minutos de duração.

A decepção é tão essencial no cinema quanto na espionagem. Assista ao trailer de “Código Preto”, dirigido por Steven Soderbergh e roteirizado por David Koepp — a explosão, a arma sendo sacada, os olhares tensos — e você pode pensar que está prestes a assistir a um filme de ação cheio de adrenalina. Na verdade, este drama de espionagem ambientado em Londres possui um ritmo tranquilo que se deleita com sua própria sofisticação intelectual.

O filme começa com uma longa tomada, característica de Soderbergh, que também atua como diretor de fotografia sob o pseudônimo Peter Andrews. Seguimos o agente britânico George Woodhouse (Michael Fassbender) enquanto ele se movimenta dentro e fora de uma boate de luxo. Ele é avisado pelo agente Meacham (Gustaf Skarsgard) de que um pen-drive contendo um programa chamado Severus — capaz de hackear instalações nucleares — desapareceu. O destino do mundo, como acontece com tanta frequência, está em jogo.

George recebe uma lista com cinco nomes e a tarefa de, em uma semana, descobrir quem dos cinco traiu a nação e entregou Severus nas mãos inimigas. Na lista, entre os suspeitos está a esposa e colega de George, Kathryn St Jean (Cate Blanchett), com quem compartilha um casamento que não podemos chamar de tradicional.

Novamente é importante mencionar que, a explosão inicial de glamour da vida noturna mostrada na tomada inicial é enganosa. Boa parte do filme se passa na casa do casal e no QG da inteligência (NCSC) de Londres, um ambiente corporativo de aço, vidro e telas.

George resolve oferecer um jantar para os agentes da inteligência britânica do NCSC que constam na lista fornecida por Meacham com o objetivo de descobrir o informante. E prepara um prato bem especial:  Chana Masala com algumas gotas de soro da verdade.

George, pelo menos, parece imune à corrupção — ele odeia mentiras. Quando jovem, até derrubou seu próprio pai, revelando seus casos extraconjugais. George também é um marido dedicado — mas e se Kathryn estiver enganando a ele e à nação?

O roteiro tortuoso de David Koepp torna as apostas explícitas: dada a natureza do trabalho, espiões só podem namorar outros espiões. Mas há segredos que os agentes não podem contar uns aos outros, então a palavra-código para discrição, “Código Preto”, é por natureza não confiável: como saber quando uma tarefa é realmente uma atribuição?

Daí a frágil rodada de suspeitas e recriminações entre os convidados do jantar de George e Kathryn: o chefe de departamento James Stokes (Regé-Jean Page), o agente farrista Freddie Smalls (Tom Burke), a recruta especialista em tecnologia Clarissa (Marisa Abela) e Zoe Vaughan (Naomie Harris), a psicóloga interna que conhece os segredos de todos.

Todos os atores coadjuvantes — embora formem um belo conjunto — são, em última análise, brinquedos em seu jogo de amor. Na verdade, o estado do casamento de George e Kathryn é o que nos interessa. Por mais extrema que seja a situação deles, a união é, como para qualquer casal, construída com base na confiança e na devoção, mesmo que suas vidas profissionais exijam o inverso. Quando George, deitado em cima de Kathryn, diz a ela que faria qualquer coisa por ela, ela murmura: “Você mataria?” É um teste justo para os limites da felicidade conjugal, claro, mas sua segunda pergunta importa ainda mais. “Você mentiria?”

Não podemos esquecer de mencionar, o ex-James Bond — Pierce Brosnan — que aparece no filme como Arthur Stheiglitz, o chefe do NCSC. Em seu punhado de cenas, Brosnan está furioso e feroz, mastigando tanto Ikizukuri (peixe vivo preparado) quanto o cenário.

Blanchett ronrona em seu papel de forma majestosa e enigmática, enquanto Fassbender mantém um controle rígido, às vezes quase inexpressivo, como um homem silencioso que está constantemente fazendo cálculos precisos.

Código Preto é lindamente atuado e conduzido com elegância suprema — sem mencionar a ousadia formal, com uma sequência encenada em close-ups apertados e diálogos sobrepostos enquanto George submete seus colegas a testes de polígrafo. No entanto, ao final, é difícil não sentir que toda essa complexidade parece um pouco pretensiosa — como se o filme estivesse usando uma fachada polida para esconder sua estrutura um tanto mecânica.

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