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“Amores à Parte” uma comédia romântica caótica nada monogâmica

Eu nunca teria imaginado que uma comédia romântica não monogâmica poderia me divertir tanto assim. Definitivamente, “Amores à Parte” foi a melhor surpresa que tive neste ano, misturando um humor único e um olhar afiado sobre os casais modernos.

Carey (Kyle Marvin de “A Amizade”) recebe de uma hora para outra a notícia de que sua esposa Ashley (Adria Arjona de “Pisque Duas Vezes”) quer o divórcio, juntamente com a revelação das várias traições por parte dela. Assim, ele passa alguns dias se recuperando na casa de seu melhor amigo, Paul (Michael Angelo Covino de “A Amizade”), e da esposa dele, Julie (Dakota Johnson de “Amores Materialistas”), que logo abrem o jogo dizendo que vivem um relacionamento aberto. Mas isso vai esticar até o limite sua amizade e os contornos desse relacionamento liberal.

Sabemos que humor é algo subjetivo, portanto achar um tom que consiga agradar a todo mundo não tem nada de simples. Mas a maneira como isso é feito aqui realmente me surpreendeu, seja pela mistura de piadas que vão do humor corporal a cenas completamente besteirol ou a um cinismo perfeito para retratar as relações modernas.

E o mais interessante é que vários tabus de uma relação não monogâmica são explorados aqui, e vemos isso justamente pelo olhar de Carey. Ele, que não está nenhum pouco confortável com essa dinâmica, ou seja, por mais que tente ainda é um romântico incurável, gerando situações tão absurdas que escalam minuto após minuto sem perder a graça.

E esse mérito de saber esticar as cenas mais absurdas para deixar a gente vidrado com qual será o próximo passo é inteiramente do diretor Covino e do roteirista Kyle, que, por mais irônicos que sejam, também são melhores amigos na vida real — tal qual seus personagens. O que explica muito da química entre eles para piadas tão simples darem tão certo.

Mas o match entre eles não é o único destaque do elenco. Adria Arjona faz girar boa parte da trama muito pela energia caótica de sua personagem, claramente simbolizando a liquidez dos novos relacionamentos, como a fome de experimentar e o medo de se amarrar. Sinceramente, nunca tive tanto afeto pela Dakota Johnson, mas ouso dizer que, em “Amores à Parte”, temos seu papel perfeito. Sedutora, irônica “como sempre”, é a voz da razão no meio de tanto caos e imaturidade. Quase soa como se ela fosse a personificação da sanidade — mas, como eu disse… quase. Ainda assim, ela está completamente no tom de sua personagem e é quem mais consegue entregar o equilíbrio entre drama e humor.

Amores à Parte não é só a melhor comédia romântica do ano, como também uma piada deliciosa com a liquidez dos relacionamentos modernos. Além de ser uma aula de química e timing cômico, me deixa ansioso para saber qual será o próximo passo no bromance de Michael Angelo Covino e Kyle Marvin.

Amores à Parte tem estreia prevista para o dia 21 de agosto.

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