Como a inteligência artificial está transformando o mercado criativo – e o que ainda é insubstituível

A inteligência artificial vem ganhando espaço em diversas áreas, e a indústria criativa está no centro dessa transformação. Ferramentas de IA já ajudam a compor músicas, gerar imagens, editar vídeos e até criar bandas inteiras do zero — como foi o caso recente da Velvet Sundown, formada por algoritmos.

Diante desse novo cenário, surgem dúvidas urgentes: a IA ameaça a originalidade dos criadores? Como preservar a identidade autoral em um mundo cada vez mais automatizado?

Caroline Steinhorst, sócia e diretora da b+ca, que está diretamente com artistas e estratégias criativas contou que ainda acredita que a originalidade não é uma ameaça aos criadores, pois ainda a IA precisa da criação humana para ser alimentada. “Hoje ainda não, talvez isso possa mudar com a evolução das ferramentas, mas no momento a IA ainda depende da criação humana para ser alimentada. Hoje vejo a IA como a ameaça mais direta a funções mais operacionais, o trabalho criativo humano sempre vai precisar existir, e com tudo cada vez mais feito por IA, é possível que no futuro ele fique até mais caro e mais valorizado.”

Para ela, a IA é uma ferramenta importante que serve de apoio: “A IA acelera os processos criativos, trazer insights sobre trends e tendências, comportamento do público e até ajudar em brainstorms ou pré-produções. Mas a identidade autoral de um artista, no caso, é o seu bem mais valioso. É o que conecta emocionalmente com o público. O equilíbrio está em usar a IA como apoio, não como substituto. Ela pode otimizar, sugerir, analisar, mas nunca deve substituir a essência do artista, que carrega toda sua trajetória e sua identidade. Nosso papel como agência é garantir que a tecnologia seja usada para potencializar essa identidade, não diluí-la. Por exemplo, podemos usar IA para analisar qual tipo de narrativa está engajando mais nas redes ou quais elementos sonoros têm performado melhor nos charts, mas sempre adaptando isso à essência criativa de cada artista. A IA ajuda a escalar, mas é o artista que define o caminho.”

Mesmo cedo para medir com precisão o impacto da inteligência artificial na música, Caroline, sócia e diretora da b+ca tem uma visão otimista: “Acredito que, quanto mais músicas criadas por inteligência artificial, mais valor terá aquelas que forem feitas por artistas de verdade.”

Sobre a banda The Velvet Sundown, criada totalmente por IA, ela ressaltou que não tem muito como se proteger do avanço da IA e mesmo que a tecnologia potencie ela não substitui — a arte feita por pessoas. “Para ser honesta, acho que não tem muito como se proteger do avanço da IA. e tá tudo bem! O mais importante é o artista continuar sendo fiel à sua verdade dentro da música. Nunca foi o melhor cantor ou a letra mais criativa que garantiram sucesso. O que realmente conecta são as características únicas e humanas de cada artista. Muitas vezes, são justamente os detalhes, e até as imperfeições, que movem os fãs a se identificarem. Então, se tem um jeito de se proteger, é mantendo essas raízes. É isso que constrói vínculo real com o público e faz uma carreira durar, independentemente da tecnologia.”

Por fim, Caroline Steinhorst finalizou que para chegar a um equilíbrio, provavelmente ainda vai ter um período um pouco obscuro. “E esse é um momento que exige debate. Exige que a gente cobre posicionamento das empresas responsáveis por essas tecnologias e também dos governos, no sentido de criar regulamentações claras. Esse, para mim, é o caminho.”

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