“Caiam as Rosas Brancas!”: drama erótico argentino falha ao apostar em narrativa experimental

Com distribuição da Boulevard Filmes e codistribuição da Vitrine Filmes, “Caiam as Rosas Brancas!”, drama erótico dirigido pela argentina Albertina Carri, com coprodução brasileira da Quarta-feira Filmes, tenta contar uma roadtrip de autoconhecimento feminino com uma intitulada narrativa “decolonial”.

A jovem diretora de filmes adultos Violeta (Carolina Alamino, de As Filhas do Fogo) se vê diante do difícil desafio de dirigir seu primeiro filme pornô “popular”. Mas conflitos com a produção do longa e com seu próprio lado artístico a fazem fugir do set de gravação, encarando posteriormente uma viagem repentina com suas amigas.

A princípio, o teor claramente sexual da trama e o conflito de Violeta no set indicam que teremos uma típica história de amadurecimento pessoal com pitadas eróticas. Mas o que realmente acontece ao longo do filme é que não é possível enquadrá-lo em um subgênero específico, já que não se aprofunda em nenhuma das temáticas que tenta abordar.

A trama sexual e suas relações com as amigas que, de forma bastante explícita, demonstram fazer parte do meio BDSM sugerem o teor sexual da produção. No entanto, durante as quase duas horas de duração, esse aspecto não só não acrescenta à narrativa como é praticamente esquecido a partir do segundo ato.

A jornada de autodescoberta insinua, visualmente, que a personagem de Carolina busca algo em seu lado artístico. Ela tenta durante praticamente toda a produção, mas sem transmitir qualquer credibilidade nesse processo. No terceiro ato, o filme abandona o formato narrativo utilizado até então e adota uma estrutura de documentário experimental para simbolizar esse “novo olhar” de Violeta.

Mas que novo olhar é esse? Que teria sido construído junto às suas colegas enquanto passavam por situações sem motivações claras, parecendo mais rascunhos a serem preenchidos. De acordo com a própria diretora, essa escolha proposital é inspirada em um conceito decolonial de produzir obras que fogem das estruturas narrativas convencionais.

O conceito decolonial, nesse contexto, implica não seguir os modelos narrativos já estabelecidos, formas de contar histórias que foram criadas, polidas e refinadas ao longo dos mais de 125 anos de cinema. O resultado é um longa propositalmente desconexo e insosso.

O filme estreia nos cinemas no dia 15 de março.

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